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Entrevista Roberta Nigri

Por: em ENTREVISTAS, Moda
11/07/2011

Roberta é uma carioca de 24 anos que apesar da pouca idade já trabalhou como assistente de estilo com um grande nome da moda internacional: Valentino. Hoje em dia ela se prepara para lançar sua própria linha de roupas que levará seu nome: Roberta Nigri. Enquanto isso, ela presta assessoria para empresas de moda que ainda não tem um know-how em desenvolvimento de linha de raciocínio para coleções. Batemos um papo com ela! Confira!

Roberta Nigri+ MODA: Como será a coleção que leva seu nome? O que os clientes podem esperar e qual seu público alvo?
Roberta Nigri: Pretendo desenvolver uma coleção bem democrática, que possa atender a todos os tipos de corpos, bolsos e estilos. Acredito que a moda tem que ser divertida e prazerosa, e quero transmitir isso para as minhas clientes, que vão achar desde o básico até peças mais “trend”. A coleção será bem romântica, mas sem perder a “ginga” carioca.

+ MODA: Como foi trabalhar num grupo de renome como o Valentino Fashion Group?
Roberta Nigri: Foi maravilhoso, aprendi muito com eles! Conheci muitas pessoas que me ensinaram a enxergar o desenvolvimento de coleção de uma forma diferente. Aprendi a ter uma sensibilidade diversa, e a partir dela, oferecer para as minhas clientes o que elas querem ser e, por isso, usar.

ILL8+MODA: Quais as principais diferenças que você sentiu no desenvolvimento de uma linha dentro de uma grande corporação e de uma marca menor brasileira?
Roberta Nigri: Não tem como comparar, apesar de serem do mesmo setor, são organizações completamente diferentes. Primeiro, pelo menos na Itália, eles tem uns bons séculos de know-how maior do que o nosso, e isso já faz com que eles pensem diferente. Em uma grande corporação, o processo de criação é mais setorizado, passando pelo escritório de criação, escritório de desenvolvimento de produto, escritório de outsourcing, controle de qualidade, etc… Além do cronograma que é diverso, a coleção sai toda pronta de uma vez só, não é distribuída e recebida nas lojas por semanas, como acontece muito aqui.
Mas, talvez por estarmos um pouco atrás na história da moda ou por não ter todas as ferramentas que eles desenvolveram, nós adquirimos mais criatividade e versatilidade, não podemos menosprezar a moda brasileira, vejo que se antes nós ficávamos abismados com as criações europeias, hoje são eles do continente-velho que abrem os olhos para a nossa moda tropical.

+MODA: Explica um pouco melhor pra a gente essa assessoria que você presta a empresas de moda para desenvolvimento de linha de raciocínio em coleções. É um tipo de serviço comum no Brasil ou você trouxe essa ideia de fora?
Roberta Nigri: Foi o que mais desenvolvi lá. Na verdade percebi que aqui ainda existem empresas que direcionam muito a coleção para a moda estrangeira, falando de uma forma mais vulgar; que copiam o que tem lá fora e que acabam criando coleções que não tem uma linha de raciocínio, ou um “tema” como é chamado aqui. Elas ainda não perceberam como essa “linha-guia” é fundamental para que o cliente entenda a marca, se identifique e assim se fidelize a ela.
Enquanto que lá, na Valentino, por exemplo, esse processo já é natural, aqui no Brasil, estamos aprendendo a desenvolve-lo e é ai que eu entro: Elaboro esse trabalho com essas empresas, algumas são antigas no mercado e por sempre trabalharem sem esse parâmetro, ficam um pouco confusas na hora de incorporar esse método no desenvolvimento de coleção. E eu dou uma direção para elas, assim, no meio de tantas ideias legais, conseguimos desenvolver uma coleção incrível, sem “copias”, com a identidade da marca e mais exclusiva.

As fotos abaixo foram feita para um projeto que Roberta fez sobre lingerie. Como o tema dele se encaixa no que está desenvolvendo, ela irá lança-lo. O corselet será colocado como uma peça para a linha “festa” e não como moda-íntima.

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